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PERCURSO DRAMATÚRGICO PARA UMA POSSÍVEL LEITURA | Escrita Colectiva em resposta a ‘Para cuatro jinetes’

18th February 2026

Reflexões colectivas sobre a obra Para cuatro jinetes, apresentada no Sábado dia 8 de Novembro 2025 no festival Linha de Fuga. Obra colectiva criada com os participantes do laboratório Construindo respostas críticas: sessão colaborativa para escritores e artistas, com Cláudia Galhós, Pedro Vilela e Xavier de Sousa, 9 de Novembro de 2025. Para mais informações sobre o trabalho realizado por performingborders no festival Linha de Fuga, incluindo aceder a outras comissões e reflexões, visita a página Live Art Writers Network x Linha de Fuga 2025.


Versão aúdio (multilingue):

PERCURSO DRAMATÚRGICO PARA UMA POSSÍVEL LEITURA (PEDRO)

Cláudia Galhós: Acompanhando a primeira parte do espectáculo, debati-me entre a sedução de uma pulsão da dança dos quatro corpos femininos, evocativos de imaginários e tempos e culturas muito distintas e distantes, que ao mesmo tempo que desmontavam e criticavam uma cultura mais tradicionalista, com evocação do flamenco e das touradas, também replicaram uma combinação de expressões culturais que me fizeram questionar se é legítima a apropriação de saberes de diferentes proveni|ciências sem a devida contextualização e sem legitimidade do lugar de enunciação…

(Urutau) Porém, quais são e como identificar os contornos entre uma cultura e outra?

Marta Blanco: Sinto-me inconfortável com esse dispositivo machista, com mulheres a dançar nuas e homens vestidos a criar a música para elas. Estão a re-significar que partes?

Natália Mendonça: (mas se nesse caso, apenas invertêssemos esses papéis?… a leitura machista estaria resolvida – interrogação. talvez os homens se tornassem os 4 protagonistas nus maravilhosos blabla e as mulheres apenas coadjuvantes na penumbra e sem voz… e se sim, nesse caso, o que fazer? explodimos a forma cénica encontrada para encontrar alguma outra que dê conta em si?)

Pedro Vilela: Neste exato momento, estilistas da Zara redesenham estampas com referência a culturas que não propriamente serão beneficiadas pelos lucros que irão gerar. Greta Thunberg realizará um novo discurso sobre a crise climática, enquanto um cacique no Alto Xingu ensinará um novo encantamento ao seu neto. Quem ouviremos? Quem nos vestirá?

Miguel Afonso: Catarina Chitas – Sao Joao (música)

M̶i̶g̶u̶e̶l̶ Bonneville: “Com humor e sabedoria, estas obra revisita as ficções do passado, presente e futuro, numa tentativa humilde de compreender melhor quem somos e o que estamos a fazer.” sinopse do espectáculo. pergunto: sabedoria? humilde? o que querem dizer?

“A Espanha nunca se recompôs de esforço das suas aventuras imperiais, do ouro fácil do Novo Mundo, da sangria que se auto-infligiu ao expulsar das suas veias o sangue judeu e mouro até à última gota.” Yourcenar, Portugal também não.

Marta Blanco:

Natanael Ferreira – Dos deuses veio a primeira arte, a primeira ciência, e a eles voltará quando já cá não estivermos. 

Tenho um background estritamente religioso. Isto implica crer em muitas coisas que quase todos consideraram o mito.

O quão isto me moldou, 20 anos de patanteadamente não ciência, duvido que alguma vez saiba, mas o quão dependente disto fui, quer no começo da minha vida adulta, mesmo agora, revê se na pessoa que sou, e serei. 

Com isto dito, não creio que isto seja uma experiência singular. Acredito que todos criamos os nossos próprios deuses, fabricamos os próprios folclores, e que, aceitando ou não, isto nos acompanhará enquanto o Homem com H grande se chamar Homem

Asami Ortiz (Valencia, Cartagena, Patagonia, Rio de Janeiro – Venezuela, Colombia, Argentina, Brasil)

EL ARTE CONTEMPORANEO EN LA ERA DE TIK TOK

Algo dicho

Algo no dicho 

Algo por decir 

Algo super dicho 

Algo demasiado dicho

La presencia de 4 mujeres hegemonicas desnudas irrumpe la escena, luego de un trago de agua, quizá. Los cuerpos están listos para la acción, los hombres ejecutan y acompañan. 

Las mujeres blancas mueven sus cuerpos de manera histriónica, hay técnica, hay trabajo, hay fuerza, hay presencia. 

La pantalla aparece por momentos como interlocutor, disruptor, hipnotizador, cuidador, filtrador, incomodador, traductor. 

El sonido nunca para, aparece como loop, los hombres obedecen, ejecutan. 

Las palabras, los gritos componen la narrativa, hay una tentativa de comunidad, hay una comunidad eclética, movediza, conglomerada. 

“A ausência de corpo” tem sido uma pré-condição do pensamento racional. Mulheres, povos primitivos, judeus, africanos, pobres e todas aquelas pessoas que foram qualificadas como corporalizadas, dominadas, portanto, pelo instinto e pelo afeto, estando a razão longe delas. Elas são o outro e o Outro é um corpo.” (OYEWUMI, p. 4, 2021)

Susana: No fim, um chamamento. Há o som, o vídeo, a luz, o palco, as frases que gritam, e nós, dançamos. E nós dançamos. No palco, dançamos. 

A linguagem é a do caos, as bailarinas interpretam o passado, as duas avós. Elas dançam num tempo ancestral com os corpos frenéticos, com os corpos das avós. As avós ancestrais  dançam nas tumbas.

Público suspenso. 

O concurso de folclore, surreal.

Yoko Ono surreal. 

Uma tia popular, rústica, da interioridade espanhola, surreal.

Vaga tonalidade ameríndia.
Como num jogo de vídeo, alucinadas, as avós dançam. 

Impossível dar ordem ao caos. Desnecessário.

Quatro mulheres e dois homens desmultiplicados. São outros tempos. É outra linguagem.

As avós nas campas dizem

Filhas

Esqueceram tudo, afinal?

No palco

frenéticos

dançamos

sabendo que é impossível

ser alegre

em Gaza

Mas no palco

dançamos

como num narcótico – concurso televisivo. 

Debaixo do poder dos cartéis que nos vendem a falta de liberdade

É impossível, é desnecessário dar ordem ao caos

Um chamamento. 

En el Estado Espanhol los folclores que son múltiples y muy distintos, se crean a la par que los nacionalismos en el Siglo 19, son los folclorismos en su auge donde se dividen y separan los territorios tambien con auge en Europa  

En el caso de Euskal Herria que es lo que conozco son como una construcción, que realiza casi como una  ficción para determinar la identidad de un pueblo, así que…

SUSPICIOUS! 

Por otra parte las danzas folclóricas suelen tener una “Historia”

Elilson: Não escrevo sobre o que não vi, no entanto inscrevo a partir do que ouço. Na miscelânea de lugares por onde (desde onde) vêm os corpos, /reafirmo/ que escuta e existência são cognatos políticos.

E se existir cavalos, escrever comunidades, inscrever folclores, mirar encantamentos, entrever chamamentos e escutar pueblos compõem o mesmo juego semântico nas léguas que juntam nossas línguas, estar em cena e ver a cena talvez partilhem da tentativa de não deixar que algo morra.

Nicole Gomes: Quanto a linguagem cênica está contaminada pelas mídias sociais?

Isadora Dantas: as frases que se sobrepõem às danças quase em penumbra verde endereçam sentidos como o de que uma revolução pede que se invoque o passado. tensão entre um passado que é presente no corpo e nas vivências mas que é insistentemente alvo de apagamentos… como pensar\sonhar\pavimentar o futuro a partir daí? como dançar com as histórias que cada corpo carrega?

João: PANGEA. Este é um recorte do meu arquivo pessoal para o FUTURO.

Catarina Pinho: Para Cuatro Jinetes fez lembrar do frevo. Da energia, da força, do saber dançar e não lembrar da vida sem a dança.

Paula Araya: Y los caballos, que dirán los caballos. Llevados de aquí para allá. Figuras de exhibición para ser montados. Esos culos pétreos, recios y altivos. 

esa estampa…. que tiene de popular?

San joan, san llorencs y san rafel

el 18 de septiembre y la cueca

mientras tanto yo me pregunto a quien bailo cuando bailo?

Gaia Ginevra Giorgi: non ho visto la performance. DORMIVO PERCHÉ ERO SFINITA. provo a immaginarla a partire dalle parole delle mie compagne. questo mi fa pensare a un progetto che avevo realizzato molti anni fa con il collettivo di performance. la nostra università si trovava proprio accanto a una scuola materna. avevamo organizzato un festival di performance e avevo deciso di affidare la comunicazione ai bambini. allora gli avevamo raccontato le performance avevamo programmato e loro le avevano disegnato a partire dalle nostre parole. ho fatto lo stesso quest’estate per un progetto intitolato erbario fantastico. ho inventato un erbario di piante alofile delle laguna di venezia e ho chiesto a un’illustratrice di disegnarle a partire dalle mie parole. per scrivere mi ero ispirata al dizionario delle amanti di monique wittig. 

I am that person who is lost and found in translation: What is Folklore? Who is Folklore? When is Folklore? Where is Folklore?

I sit down, pareita I-8, the seat is occupied, but the I-13 is free. Sit down! The performance starts.

I watch, I listen. I consume?

Four half-naked women in sneakers. Is that Folklore? They dance. In front of two clothed men, who play the music. errorerrorerror!?!? The women move to the music of the men, they follow their rhythm. They dance not for them, but in front of them. We travel through different parts of the world discovering/being remembered of Folklore. The mind travels to friends abroad, to my own rituals and traditions I live, my family lives. We have an encounter………

……….

consumption is our Folklore. It will kill us. There are five minutes left. LET´s DAnCe ToGeTHeR!

Urutau + Jorgette

Thales Luz + Urutau:

Natalia + Catarina Pinho

Ed Freitas:

PERCURSO DRAMATÚRGICO PARA UMA POSSÍVEL LEITURA foi criado pelos participantes do Laboratório Construindo respostas críticas: sessão colaborativa para escritores e artistas, parte do programa Live Art Writers Network x Linha de Fuga 2025. Curadoria Xavier de Sousa.

Participantes: Cláudia Galhós, Pedro Vilela, Xavier de Sousa, Ed Freitas, Gaia Ginevra Giorgi, Urutau, Marta Blanco, M̶i̶g̶u̶e̶l̶ Bonneville, Natanael Ferreira, Natália Mendonça, Miguel Afonso, Asami Ortiz, Susana Maria de Almeida Gonçalves, Nicole Gomes, Isadora Dantas, João Pedro Schwingel Carada, Paula Araya, Aurora, Jorgette Mendes, Alegría Gonzáles.

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